Existe uma pergunta que muitas pessoas carregam antes de dar o primeiro passo em direção à terapia: “Mas o que exatamente vou encontrar lá?” E quando falamos especificamente da psicanálise, essa dúvida costuma vir acompanhada de outros questionamentos — afinal, o analista não prescreve medicamentos, não oferece respostas prontas, não entrega fórmulas de felicidade.
Então, o que ele faz?
A angústia como ponto de partida
A vida nos apresenta situações reais, impactantes, que nos tiram o chão. Uma perda, uma ruptura, uma escolha difícil, uma fase de transição. Diante dessas situações, é natural sentir angústia. E é exatamente aí que começa o trabalho psicanalítico.
O papel do analista não é eliminar essa angústia como se ela fosse um erro do sistema. Ela não é. A angústia é um sinal, uma linguagem do inconsciente que nos diz que algo precisa ser olhado. O que a psicanálise propõe é uma transformação: sair de uma angústia paralisante para uma angústia que movimenta, que questiona, que cria.
O desejo de controle e seus custos
Uma das grandes descobertas que o processo analítico possibilita é o encontro com uma tendência muito humana: a ilusão de controle. Queremos controlar o que sentimos, o que os outros pensam de nós, os rumos da nossa vida, os resultados das nossas ações. E quando esse controle não vem — e ele raramente vem da forma que esperamos — a angústia se instala.
Dentro de casa, nas relações afetivas, no trabalho: onde quer que haja uma tentativa rígida de dominar tudo, haverá também sofrimento. Não porque a vida seja cruel, mas porque o controle total é uma fantasia. E fantasias, quando confrontadas com a realidade, doem.
A psicanálise não ensina a desistir de si mesmo. Ela convida o sujeito a olhar para dentro e perguntar: “O que essa situação está me dizendo sobre mim? Sobre o que eu espero? Sobre o que eu temo?”
Da angústia à criação
Quando essa transformação acontece — e ela acontece no tempo de cada um, sem pressa — algo surpreendente emerge: a angústia que antes paralisava começa a se converter em energia criativa. Em curiosidade. Em desejo de saber mais sobre si mesmo e sobre o mundo.
É nesse ponto que a psicanálise cumpre sua função mais profunda na promoção da saúde mental. Não ao prometer ausência de dor, mas ao ajudar o sujeito a dar sentido à sua experiência, a se tornar mais inteiro, mais capaz de viver com aquilo que não pode ser controlado.
Saúde mental, nessa perspectiva, não é a ausência de conflito. É a capacidade de atravessá-lo sem se perder.
E você, está pronta para esse encontro?
O consultório do analista é um espaço raro: um lugar onde sua história importa, sua fala tem valor, e seu inconsciente tem voz. Se você sente que algo dentro de você pede atenção, talvez seja hora de escutar.
Jéssica Santos